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O que está por trás da retórica de progresso e heroísmo da corrida espacial? Seria a aventura pelo cosmos um empreendimento guiado por ideais científicos elevados ou um projeto geopolítico fundado em colonização, exploração e dominação? Em Uma história da conquista espacial: dos foguetes nazistas aos astrocapitalistas do New Space, Irénée Régnauld e Arnaud Saint-Martin desmontam as narrativas edulcoradas que envolvem a exploração espacial. Longe da visão mitificada que costuma embalar o tema, os autores revelam os interesses políticos, militares e econômicos que moldaram a corrida pelo espaço, da década de 1930 aos nossos dias – dos nazistas aos bilionários astrocapitalistas, como Elon Musk e Jeff Bezos. Dominada pelo paradigma de “conquista”, a realidade se distancia dos mitos que formaram a percepção pública da exploração do espaço, a começar por suas origens. Ponto de partida dessa história são as raízes nazistas da astronáutica. As pesquisas de engenheiros do Terceiro Reich, que coordenaram programas utilizando mão de obra escravizada de campos de concentração, inauguraram o desenvolvimento acelerado da tecnologia espacial. Tal protagonismo continuou após a Segunda Guerra Mundial, quando muitos desses nazistas foram recrutados por outros países, sobretudo pelos Estados Unidos, e seus passados convenientemente apagados a fim de alavancar programas espaciais na nova era da Guerra Fria. Tempo da astrocultura — a construção simbólica do espaço como destino natural da humanidade, uma mitologia alimentada pela ficção, campanhas publicitárias, idealização dos astronautas como heróis e discurso científico mobilizado para legitimar grandes investimentos estatais a partir dos anos 1950. Em paralelo ao encantamento e à “disneylandização” do espaço, ocorreu uma persistente militarização das iniciativas, desde a criação de mísseis balísticos e satélites espiões até a atual disputa por supremacia orbital. Régnauld e Saint-Martin ressaltam que o espaço foi campo de batalha e instrumento de projeção de poder em períodos diversos. Hoje não é diferente. Sob o neoliberalismo, emerge o astrocapitalismo, a crescente mercantilização do espaço por corporações privadas como SpaceX e Blue Origin. Vendidas como símbolos de inovação, essas empresas de fato dependem do financiamento e da direção do Estado. Cercadas de promessas — como a mineração de asteroides ou a colonização de Marte — seus resultados são bastante concretos: utilização de vultuosos fundos públicos, especulação, poluição luminosa causada por megaconstelações de satélites, acúmulo de lixo orbital e ameaças à observação astronômica e à segurança do ambiente espacial.
Uma história da conquista espacial não apenas revisita criticamente o passado, mas reflete sobre os rumos da aventura cósmica, convidando o leitor a abandonar a mitologia que cerca o espaço e a encará-lo como uma fronteira onde se reproduzem as contradições e as disputas terrenas.
Nome
UMA HISTÓRIA DA CONQUISTA ESPACIAL: DOS FOGUETES NAZISTAS AOS ASTROCAPITALISTAS DO NEW SPACE
CodBarra
9786584972186
Segmento
Ciências
Encadernação
Brochura
Idioma
Português
Data Lançamento
14/11/2025
Páginas
336
Peso
515,00
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